SCR_9277A singular virtude da caridade

Nos dias atuais, a Humanidade em seu conjunto, vive afastada dos mandamentos da Lei de Deus. Realmente, esta é uma triste situação. Porém, o que deve causar maior tristeza no coração daqueles que procuram caminhar pelas sendas da virtude é perceber que mesmo a maioria dos que pertencem à verdadeira religião de Jesus Cristo andam afastados das práticas mais essenciais dos Mandamentos.

Qual é a razão disso? Muitos alegam a dificuldade de tal prática, a qual vem acrescida pela decadência do mundo. Este, com efeito, faz uma tremenda e contínua pressão num sentido contrário.

De fato, a prática da Lei de Deus em sua plenitude não é algo difícil: é ela impossível para o ser humano em sua natureza decaída. Faz-se necessária a divina graça que o sustente e lhe dê forças que vão além de suas capacidades naturais.

Existirá, por assim dizer, uma “fórmula mágica” que torne fácil a prática da Lei de Deus? Devemos pedir a Deus por meio de Maria um dom, que é o maior de todos: o dom da Caridade, a graça do amor a Deus. Quando uma pessoa verdadeiramente ama a outra, desejará contristá-la por meio de uma ofensa? Ou, pelo contrário, procurará fazer de tudo para agradá-la, mesmo nas situações mais adversas?

Se, portanto, alguém procurar praticar a Lei de Deus e, entretanto, for pequena sua caridade, dificilmente ver-se-á livre de falhas e de pecados, pois a força da tríplice concupiscência é irresistível: se não é a carne que conduz ao deslize, é a cobiça; se não é a cobiça, é a soberba. Este é o círculo vicioso no qual se confundem aqueles que não amam a Deus como deveriam.

É o amor a Deus, por conseguinte, a grande força propulsora da prática do bem. Quanto mais puro e inflamado ele for, mais ao ser humano será fácil encaminhar-se pelas veredas da justiça. É por isso que afirma São Paulo a respeito das virtudes teologais, as quais são, entre todas, as mais elevadas: “Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade – as três. Porém, a maior delas é a caridade.” (At 13, 13).

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Com o desejo de tornar mais cogente ao leitor o que acima foi afirmado, e devido à beleza do texto em si mesmo, o qual figura na Liturgia do 4º Domingo do Tempo Comum, não resistimos em publicá-lo no presente post, embora este se torne um pouco mais longo do que o habitual. A qual texto estamos nos referindo? Ao célebre “Cântico em louvor à Caridade”, composto pela inspirada pena do Apóstolo São Paulo, e que figura em 1Cor 12, 31 – 13, 13.

Aspirai aos dons mais elevados. Eu vou ainda mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior.

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.

Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada.

Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!

A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante, nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará. A nossa ciência é parcial, a nossa profecia é imperfeita. Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá.

Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança.

Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido.

Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade – as três. Porém, a maior delas é a caridade.

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Na noite de domingo, 31 de janeiro de 2016, foi realizada na igreja matriz da Paróquia Nossa Senhora de Fátima a Santa Missa de encerramento da semana de Missões para Cristo com Maria. O Revmo. Pe. Wilson Roberto da Silva foi quem presidiu essa celebração. Foi ele, também, quem coroou a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, consagrando, em seguida, sua paróquia ao Imaculado Coração de Maria.

Por fim, foram abençoados, entregues aos respectivos coordenadores e enviados novos oratórios do Apostolado “Maria, Rainha dos Corações”.

Confira as fotos no presente post.

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