Um grandioso e divinal exemplo

Ao contemplarmos um piedoso presépio, trazendo na manjedoura uma singela, doce e comovedora imagem do Menino Deus, estando presente ao Seu lado, cheia de suave, santo e maternal desvelo, Sua Santíssima Mãe, e Seu virginalíssimo pai, São José, varão dotado de grande pureza, força e bondade, poder-nos-á vir ao pensamento a seguinte interrogação: “Como não deveria ter sido o convívio de Jesus, Maria e José nessa primeira noite de Natal?”. Uma profunda reflexão que possa satisfazer uma quão lícita, para não dizer quão santa, curiosidade, encontramos no extrato de uma conferência do mestre do fundador dos Arautos, o Dr. Plinio Corrêa de Oliveira:

Quando consideramos Nosso Senhor Jesus Cristo Menino, devemos considerar este mistério: Sendo verdadeira criança, parecendo possuir apenas um discernimento pueril, tem em Si toda a sabedoria da qual a natureza humana é capaz. (…)

Devemos por isso considerar que ali deitado na manjedoura, Nosso Senhor Jesus Cristo via tudo quanto deveria fazer na Terra. (…)

Ao contemplar Nossa Senhora, o Menino Jesus sabia ser Ela como era por vontade sua. Enquanto Maria O adorava, Ele percebia claramente que por sua vontade Ela o fazia e correspondia a essa adoração com uma generosidade, uma bondade perfeita, que inundava Nossa Senhora de gáudio.

Por sua vez, olhando para Ele, Nossa Senhora conhecia o grau de discernimento e santidade que havia n’Ele. Travava-se assim um diálogo mudo, mil vezes mais eloquente do que um diálogo falado, diálogo maravilhoso e insondável, no qual a Virgem Mãe se comunicava com seu Filho que revelava a Ela os mistérios de sua sabedoria e santidade, deixando-A arrebatada de enlevo, e fazendo-A crescer cada vez mais em santidade. (Revista Dr. Plinio, Ano 13, N. 153, p. 16).

Aqui, Dr. Plinio não faz menção ao Patriarca São José, mas considerando a missão desse grande santo e a verdadeira paridade que tem ele com Nossa Senhora, que profundíssimos ensinamentos não brotariam dos lábios do mestre do fundador dos Arautos, sobre o convívio entre as três pessoas da Sagrada Família?

Que grandioso, que belíssimo, que divinal exemplo para tantas famílias do mundo moderno!

Uma vez que fomos redimidos pelo Preciosíssimo Sangue de Cristo, uma vez que, se formos verdadeiros cristãos católicos, a graça de Deus – essa participação da vida divina – brilha em nossas almas; uma vez que, por uma tal razão, somos herdeiros do Céu, para convivermos eternamente com Deus, os Anjos e os Santos, com que elevação de espírito não deveríamos considerar-nos mutuamente? …

Ó, como reflexões como essas, realizadas com toda seriedade, poderiam modificar o relacionamento entre tantas famílias que nos dias atuais jazem tristemente em tantas situações de desunião, de destruição?!

Que, neste Natal, imbuídas de tão ricos ensinamentos que nos concede o presépio de Belém, muitas famílias encontrem o caminho perfeito para se transformarem em verdadeiras cópias da Sagrada Família: de Jesus, de Maria e de José.

Um Santo e Feliz Natal!